24 de julho de 2017

Série: Encorajamento para mulheres solteiras – Contra o desespero


O substantivo “desespero” pode ser definido como “estado de consciência que julga uma situação sem saída”; ou “estado de profundo desânimo de uma pessoa que se sente incapaz de qualquer ação”. E o verbo “desesperar” coloca a situação em termos ainda mais chocantes: “tirar a esperança; deixar de esperar; desanimar de conseguir algo.” Essas palavras são dolorosas porque expressam uma situação de desalento e grande agonia. A causa da nossa dor está no desejo por algo que não conseguimos ter ou no desejo de não ter algo e ter. Em termos práticos o que estou dizendo é: Você sofre por querer ter algo e não conseguir, mas sofre também ao desejar “se livrar” de algo (um problema) em sua vida e não conseguir. Um exemplo do primeiro caso, é o desejo por um casamento, você sonha, espera, acalenta esse desejo no coração e o fato de não o ter ou não está conseguindo te traz sofrimento.

A proposta desse texto é abordar o desalento e a dor de mulheres que ainda não conseguiram realizar esse desejo e isso lhe tem trazido sofrimento nos termos descrito pelas definições de desespero. Como também instruí-las para que no lugar da desesperança e aflição, sejam encorajadas para que suas vidas não sejam paralisadas pelo desejo de casar, porque o objetivo final de nossa existência não é o casamento, mas conhecer, se alegrar e glorificar ao Senhor para sempre. Quando digo isso, não pretendo minimizar ou fazer pouco caso do sofrimento de mulheres que se encontram nessa situação, mas o faço para desmascarar esse desejo que se tornou escravidão.

Nós sofremos porque desejamos uma completude, o que nos tirará do tédio, da mesmice de todas as coisas, muitas vezes nós nem ao menos sabemos o que seja isso, por essa razão projetamos sobre as coisas e as pessoas esse desejo de sermos completas. É o que acontece com o sonho por um casamento, nós realmente acreditamos que podemos resolver o problema da carência e da solidão com um homem, mas não podemos! Pois as condições de nossa velha natureza, nos mostra que nossa necessidade não é meramente por companhia humana, embora isso seja importante na vida, como pode ter sido o caso de Adão quando Deus disse que não era bom que ele vivesse sozinho. O que precisamos entender na situação do primeiro homem é que fomos criados para nos relacionar com Deus e com o próximo. O relacionamento com Deus, Adão já tinha e em perfeição, mas não podia viver o aspecto tangível de sua humanidade porque não havia ninguém compatível com ele. Havia Deus, infinitamente superior a ele e os animais que lhes eram inferiores, ou seja, Adão não tinha nenhuma companhia humana. Diferente de Adão naquele primeiro momento, nós, além de podermos nos relacionar com Deus ainda temos companhia humana – pais, irmãos, parentes, amigos... Não vivemos absolutamente sozinhas, podemos viver o aspecto relacional de nossa humanidade com as pessoas que Deus colocou em nossas vidas.

As alegrias e prazeres dessa vida têm o poder de despertar em nós um desejo por plena satisfação, mas que nós sabemos que não vai durar. Elas nos trazem algum prazer, mas para nos lembrar de que ele é perecível. Porque todos eles estão apontando para a Fonte inesgotável de prazer.

Quando conseguimos o que tanto desejamos, percebemos que aquilo não pode nos dá o contentamento permanente que pensávamos que teríamos. Assim como alguém fica fascinado ao ver uma bela paisagem pela primeira vez, mas ao ver aquela paisagem todo dia, o fascínio logo passa. Nosso sonho por um casamento não é destruído quando não conseguimos realizá-lo, mas quando conseguimos e percebemos que ele não é suficiente para o que acreditávamos que fosse.

O que o nosso coração realmente deseja e que nós não percebemos, é a Deus. E todos esses desejos existem para apontar para Ele. Por trás de cada amor, você estava ansiando pelo amor de Deus. Por trás do desejo pelo relacionamento e a intimidade com um homem, está o desejo por profunda intimidade com Deus. Na ânsia por ser desejada e valorizada, está o anelo de ser aprovada e aceita por seu Criador. É comum projetar todos esses desejos na relação com um homem porque de todos os relacionamentos humanos a relação do esposo com a esposa é a mais íntima, visto que se tornam uma só carne.

Penso que não é a vontade de Deus que suas filhas vivam desesperadas, infelizes e amarguradas porque não tem o que tanto desejaram. Quando as coisas chegam a esse ponto, o sinal vermelho está piscando, porque o que era para ser um desejo saudável se tornou em escravidão, em um ídolo! E esse ídolo deve ser desmascarado e destronado, porque ele é teu INIMIGO! Ele está roubando a vida que Jesus morreu pra te dar, vida em abundância.

Quando a noite é tão escura que parece que estamos cegas, quando o frio é tão brutal que parece nos cortar por inteira, e, nos vemos sangrando no escuro e no frio, nessas horas insuportáveis não é de um homem pecador que você precisa, mas daquele Homem Perfeito, que é Deus e que é Homem, que deu a vida por ti. É do amor e da atenção d’Ele que seu pobre a aflito coração necessita. 

Nosso Senhor quer que vivamos nossa vida aqui em completa consagração a Ele, e quando lutamos para que assim seja em nossa vida, ainda que de modo imperfeito, nós conhecemos e vivemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, por que no final das contas, como disse C. S. Lewis:

“O que quer que desejamos é ou o que Deus está tentando nos dar... ou é uma falsa figura do que Ele está tentando nos dar — uma falsa figura que não nos atrairia por um momento se nós víssemos a coisa real.”

Quando transformamos coisas boas em ídolos, elas nos fazem muito mau, pois parecem ser suficientes para nos preencher, mas não são. Olhe para o Senhor Jesus como as páginas da Escritura o apresentam, Ele é o teu perfeito Marido, teu Protetor, teu Provedor, teu Amor, tua Vida. Ame-o e se entregue completamente a Ele.

Sonaly Soares

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