24 de abril de 2017

Como combater o orgulho?



Vivemos em um mundo onde somos instigadas continuamente a almejar os grandes títulos, o sucesso, o reconhecimento e a sermos promovidas. Gostamos disso! Gostamos de ser vistas e reconhecidas pelos outros, de nos sentirmos importantes, e desejamos intrinsecamente que percebam o quanto somos bem-sucedidas em tudo. É natural do ser humano ser assim, pois dentro dele existe uma essência vaidosa, um orgulho por natureza. Todos nós somos orgulhosos. Aliás, nascemos orgulhosos! A grande importância que damos a nós mesmos, aos nossos sentimentos, desejos e vontades, já é suficiente para refletirmos um pouco do quanto nos autoconsideramos, e esse muito pensar em nós mesmos nos faz presunçosas, anelantes de reconhecimento. Sendo assim, estamos sempre como que andando em um lugar escorregadio, correndo o risco de anelarmos o prestígio e a glória que pertencem a apenas um Ser que é digno: Deus.

A Bíblia nos assevera que o Senhor Deus é o Único que merece toda honra e glória, a qual não divide com ninguém (Is 42:8). Ele é exaltado em si mesmo, possuindo toda proeminência e transcendência, estando infinitamente mais elevado que tudo o que existe, sendo ininterruptamente digno de adoração. Nunca daremos a Deus um culto o qual satisfaça toda a Sua dignidade, a terra não tem essa capacidade, “nem todo o Líbano basta para queimar, nem os seus animais, para um holocausto.” (Is 40:16).

Esse mesmo Deus veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo, a fim de redimir pecadores e os levarem de volta à comunhão com Ele. Jesus se encarnou e viveu como um de nós, em nosso mundo, embora sendo Deus.

“Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de  homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2:6-8)

A humilhação do Senhor absoluto, Jesus Cristo, leva seus servos a se sentirem constrangidos e a se envergonharem, pois até os seus servos não estão isentos do orgulho, antes, lutam contra ele dia a dia. Ao contrário do nosso Mestre, nós somos orgulhosas! Vangloriamo-nos até no serviço que prestamos a Ele, quando ansiamos ser reconhecidos pelos que nos veem. Às vezes percebemos nos sentindo superiores aos outros, pelo nosso conhecimento, ortodoxia, ortopraxia, habilidades, dentre tantas outras coisas. O orgulho é certamente um de nossos maiores inimigos. Ao vermos a cruz ensanguentada, com o sangue inocente sendo derramado por causa dos nossos pecados e tamanha devoção do nosso Mestre, não existe outra reação senão a de rendição e arrependimento, por não sermos o que devíamos ser. Martyn Lloyd-Jones já dizia:

"Só há uma coisa que me prostra até ao chão e me humilha até o pó: olhar para o Filho de Deus, e, em especial, contemplar a cruz.

Quando contemplo a maravilhosa cruz na qual o Príncipe da Glória morreu, meu maior ganho considero como perda e desprezo todo orgulho meu! Nada mais faz com que me sinta assim. Quando vejo que sou um pecador... E que nada, exceto o Filho de Deus na cruz, pode me salvar, sou humilhado até ao pó... nada além da cruz pode nos dar este espírito de humildade."¹

Semelhantemente, John Stott afirmou que:

"Toda vez que olhamos para a cruz, Cristo parece dizer-nos: 'Estou aqui por causa de você. É o seu pecado que estou levando, a sua maldição que estou sofrendo, seu débito que estou pagando, sua morte que estou morrendo'. Nada na História, ou no universo, nos torna tão conscientes de nossa pequenez como a cruz. Todos somos grandes aos nossos próprios olhos, especialmente no que diz respeito à justiça própria, até que visitamos um lugar chamado Calvário. É lá, aos pés da cruz, que murchamos de volta ao nosso tamanho real."¹

A cruz é suficiente para minar o nosso orgulho. Ao contemplarmos o Salvador morrendo pelos nossos pecados, “murchamos de volta ao nosso tamanho real.” E quanto mais próximos de Deus nós estivermos, mais nos encontramos. A proximidade com Deus não nos traz status, vanglória ou dignidade. A proximidade com Deus nos humilha e nos faz sentir miseráveis e imundos, porque nos faz vermos o que realmente somos e diante de quem estamos. Assim como a maior proximidade da luz traz a melhor visão das coisas, a maior proximidade para com o Senhor nos traz o correto entendimento das coisas. Quanto mais próximos do Senhor nós estivermos, mais claramente veremos o que nós somos: dependentes e necessitados da Sua graça, nada além disso.

Certamente, a humildade não está em voga nos nossos dias; porém, é muito necessária aos servos de Deus e também é uma consequência, porque eles entenderam o que significa o evangelho, o que significa a graça de Deus e estão remando contra a maré do presente mundo, a fim de agradar a Deus. A vontade de Deus para as nossas vidas é que sejamos humildes, tal como o nosso Senhor, seguindo o Seu exemplo. Jesus veio ao nosso mundo e nos ensinou o que é humildade. Ele diz: “Eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (Jo 13:15).

Como podemos ser humildes? Primeiramente, isso é uma obra da graça de Deus, atuante em pecadores que em rendição se submetem à Sua vontade. À parte de Deus não existe a verdadeira humildade de espírito, mas com Ele, pecadores orgulhosos podem ser transformados em servos humildes gradativamente. Graças a Ele, podemos ser o que Ele quer que sejamos, porque Ele nos proveu tudo o que seria necessário para a vida e a piedade (II Pe 1:3).

A comunhão com Ele, por meio da perseverança em oração e meditação das Sagradas Escrituras, nos proporcionará meios para conseguirmos êxito em nossa luta contra o orgulho. Precisamos nos manter sempre centradas em nosso relacionamento com Deus.

Além disso, que pensemos na graça, voltemos aos pés da cruz e lá veremos o nosso Salvador. Olhemos para a sua vida, tudo o que Ele foi durante seu ministério, como agia, como pensava e falava. Ousaríamos ser o que Ele não foi, e o que Ele não quer que sejamos? 

Olhemos para as Escrituras: Deus odeia o orgulho (Pv 8:13, 16:5). Ele não apenas odeia o orgulho, como também resiste aos orgulhosos, e os abate (I Pe 5:5, Is 23:9). Combater o orgulho é então perseguir a vontade de Deus.

Também, que apreciemos a glória de Deus. Só há um digno, só há um a quem deve ser direcionada toda a estima e honra. Como bem disse João Batista, “convém que ele cresça, e que eu diminua” (Jo 3:30). Pensemos em tudo o que Ele é, em Sua soberania e nos submetamos a ela. Quando agimos com orgulho estamos também desconsiderando a soberania de Deus, firmando nosso próprio trono, mantendo o controle e a direção das nossas vidas e buscando suficiência em nós mesmos. Voltemo-nos para o Senhor Deus, mantendo nossos olhos, segurança e satisfação somente Nele, e desviemos os olhos de nós, desviemos nossa atenção de nós para Deus.

E que tens tu que não tenhas recebido? (1 Co 4.7).

Tudo o que temos provém de Deus e tudo o que somos é obra Dele. Não temos motivos para nos orgulharmos do que temos, somos ou fazemos, quando na verdade entendemos que tudo é dádiva de outrem, do Senhor Deus.

Cabe ressaltar além dessas coisas, que uma das virtudes opostas ao orgulho é o amor. O serviço cristão em amor para com o outro é uma ótima ferramenta contra o orgulho. O Senhor já nos orientara:

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo.” (Fp 2:3)

Somos estimulados pela Palavra a servirmos, e ao invés de nos sentirmos superiores, tratar aos outros como se eles fossem superiores. “O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece” (I Co 13:4). Se ainda nos ensoberbecemos é porque nos falta amor.

Todas essas orientações acima listadas nos servirão de grande ajuda no nosso combate contra o orgulho. Esse combate sempre existirá enquanto aqui vivermos na terra. Um dia seremos libertos, um dia nós estaremos em total conformidade com a vontade do Senhor, e é ali que estaremos livres do orgulho, estaremos diante do Senhor, o adorando incessantemente e reconhecendo que Ele, e somente Ele, é digno de todo louvor.

Thayse Fernandes
________________ 
¹ MAHANEY, C.J. Humildade verdadeira grandeza. São José dos Campos: Fiel, 2008.

6 comentários:

  1. Excelente texto! Tão pertinente em nossos dias em especial, às servas do Senhor que exercem liderança em algum ministério. Deus abençoe sua vida, querida irmã!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Olindina!

      Sou grata pelos elogios e considerações.

      Que o Senhor te abençoe!
      Abraço

      Excluir
  2. Que texto excelente! Que Deus vos abençoe.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amém!

      Obrigada! Que Ele te abençoe também.
      Abraço

      Excluir
  3. Que texto maravilhosa!Glória a Deus pela vida de vcs, sempre sou muito abençoada com os texto de vcs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amém, Larissa!

      Esse é nosso objetivo, que mulheres sejam edificadas no entendimento da Palavra de Deus, que molda todo o nosso entendimento e a nossa forma de agir, redundando em glórias ao Senhor.

      Que Ele continue te abençoando
      Abraço!

      Excluir

Poderá gostar também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...