13 de março de 2017

O teste que disciplina a alma


Em algum momento de nossas vidas enfrentamos algo que exige um caminhar disciplinado, ou seja, uma obediência reiterada. Essa demanda, a disciplina, é possível vislumbrá-la na vida de um estudante que deseja lograr com êxito nas provas, um jovem que tanto almeja passar em um concurso público ou em alguém que deseja uma qualidade de vida mais saudável e assim busca a disciplina na prática de exercícios físicos e numa alimentação balanceada. Enfim, exercitar a disciplina consiste na obediência aos preceitos. Na caminhada com Deus é necessário exercitar a disciplina buscando primeiro a orientação de Deus. Sendo assim, devemos confiar no Senhor de todo coração, reconhecer as limitações e fraquezas e estar sempre atento para estimular ao próximo na prática de boas obras e evitar o mal (Provérbios 3.5-8).

Apreciamos na Bíblia servas que enfrentaram o teste que disciplina a alma, e esse teste é a Espera. Pelo fato de odiarmos a espera agimos por nossa própria conta. A Bíblia relata a história de duas mulheres, que assim como nós, passaram por esse teste, ou seja, enfrentaram a espera. Ambas vivenciaram o mesmo drama cultural, pois, no Oriente Médio as mulheres estéreis eram consideradas sem valor para a sociedade e assim eram desprezadas por suas famílias. Todavia, elas tiveram maridos piedosos e tementes a Deus que se compadeciam de suas situações e não deixaram de amá-las. Ambas foram afligidas pelo mesmo motivo: Não conseguiam gerar um filho. Todavia, uma foi diligente, e recorreu ao Senhor para resolver seu problema e creu que somente Deus poderia atendê-la. A outra foi impaciente, e não recorreu ao Senhor e agiu por conta própria, pois não conseguia mais esperar. Ambas foram testadas pela espera e reagiram de forma diferente. Vejamos:

A impaciente Sara

Na aliança de Deus com Abraão, o Senhor prometerá que ele seria pai de uma grande nação (Gênesis 12.1). Porém, o tempo estava passando e Sara não dava filhos. Sendo assim, Sara cansou de esperar e decidiu sair dessa relação lancinante por seus próprios meios. Ela reconheceu que até aquele momento o Senhor a impedia de gerar um filho (Gênesis 16.2), todavia, olhou para si e o medo drenou suas forças, a angústia abateu sua alma e não recorreu ao Senhor para intervir e ajudá-la a enfrentar esse teste tão doloroso. Foi quando ela entregou sua serva Hagar por mulher a Abraão (Gênesis 16.3). Visto que naquela época era um costume legal (Para a cultura do Oriente Médio antigo) o marido de uma mulher sem filhos tomasse a serva dela como uma segunda esposa.  Dessa forma, Sara não esperou o tempo de Deus e entregou sua serva Hagar por mulher a Abraão (Gênesis 16.3). Ela acabou falhando no teste da espera.

A perseverante Ana

A bíblia relata que o Senhor havia deixado Ana estéril (1Samuel 1.5). Assim como Sara, Ana também não conseguia gerar um filho. Essa mulher piedosa sofreu os mesmos dramas, enfrentou a mesma angústia e medo que sua ancestral Sara e além de tudo isso, ainda pode-se somar os sofrimentos decorrente das  provocações de Penina, a segunda esposa de Elcana (1Samuel 1.6). Ana também tinha um marido zeloso (1Samuel 1.8) e amoroso (1Samuel 1.4-5). Até aqui compreendemos que Ana foi testada do mesmo modo que Sara e sofreu do mesmo drama de uma sociedade que denegria e menospreza a mulher estéril. Entretanto, existe uma diferença com relação ao modo que Ana sobressaiu dessa situação fatídica, ou seja, ela recorreu ao Senhor, ela orava ao Senhor (1Samuel 1.12). Essa mulher virtuosa entendeu que somente Deus era o único que poderia intervir para mudar sua sorte. Portanto, Ana estava esperando algo que somente o Senhor poderia fazer e no tempo predestinado por Deus ela concebeu um filho (1Samuel 1.20).

Destarte, é fácil encontrar sinais da aprovação de Deus em qualquer coisa quando estamos muito dispostas a encontrá-la, como foi o caso de Sara. Ela não considerou que o mesmo Deus que a fez demorar em gerar um filho é o mesmo Deus que lhe prometerá um filho, entretanto, ele só viria no tempo determinado pelo Senhor. Em alguns momentos de nossas vidas agimos como Sara, olhamos para nossas limitações e fraquezas e não entendemos que esperar é confiar em Deus, uma vez que o Senhor tem todas as bênçãos futuras planejadas para aqueles que o buscam, e só serão entregues quando estivermos suficientemente maduras para recebê-las e somente quando as circunstâncias forem corretas.

Por conseguinte, compreendemos que esperar não configura conformidade ou passividade com a relação enfrentada, mas promove que antes de qualquer atitude pautada em nosso limitado entendimento é preciso pedir a orientação de Deus. Ambas, Sara e Ana, foram testadas pela espera, porém, somente Ana recorreu ao Senhor por meio da oração crendo e confiando que somente o Senhor era poderoso para satisfazê-la. Sara não pediu orientação a Deus e decidiu agir tragicamente por sua própria conta e conforme o seu entendimento. Por fim, é necessário buscar em primeiro lugar a orientação do Senhor e depois considerar as aparentes vantagens de uma decisão. Aprendamos que a espera promove disciplina e não cancelamento do que Deus prometeu. Façamos como o Salmista:

“Espera pelo Senhor, anima-te e fortalece teu coração, espera, pois, pelo Senhor” (Salmo 27.14)

Como você está lidando com a espera, como Sara ou como Ana?

Mysia Rebeca

10 comentários:

  1. Rebeca ótimo texto claro e simples. A espera não é uma fase fácil da vida, mas Deus está sempre tratando o coração daqueles que optam por esperar no Senhor. Que possamos agir como Ana todas as vezes que a ansiedade vier a nós.

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  2. Acredito que muitas mulheres estão em situação de esperar em Deus,o texto nos orienta profundamente.Louvado seja Deus

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  3. Eu estava precisando ler isso. Deus abençoe vocês!

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  4. Que texto maravilhoso.Que o Senhor Deus nos ajude a esperar Nele como diz o salmista: "somente em Deus a minha alma espera silenciosa Dele vem a minha salvação." salm:62-1.Parabéns texto mto edificante.

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  5. Texto lindo! Vivi esse momento de espera e Ana muito me inspira. Local seja Deus que trata nossas deficiências com tanta misericórdia!

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    1. Verdade, Patrícia, o Senhor trata com muita misericórdia.

      Um abraço!

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