5 de dezembro de 2016

Série: O que tem nele que falta em mim – Os encantos da Masculinidade Bíblica.


No mundo contemporâneo tem sido cada vez mais difícil saber o que significa ser homem e mais difícil ainda sentir-se bem por ser um. A confusão de identidade, tanto para homens quanto para mulheres, tem lançado fora a beleza e os encantos que cada um carrega em seu ser. As diferenças entre eles são preciosas, pois foram desejadas por Deus que os criou (Gn. 1.27).

A mentalidade de nossa época, no entanto, é grandemente marcada pelas considerações formuladas pela ortodoxia feminista no século XX, quando os homens passaram a ser descritos como cruéis, brutos, exploradores, apáticos, misóginos, estupradores... Mesmo coisas gentis que os homens faziam como abrir a porta do carro para a mulher ou lhe ceder seu casaco para protegê-la do frio, por exemplo, começou a ser visto como expressão do machismo e todo comportamento do homem em si passou a ser repreendido como algo errado e mau, então, tudo o que era masculino devia ser evitado, a mensagem era clara – os homens não podiam mais se comportar como homens.

Com as características masculinas depreciadas e as mulheres endeusadas, desde os anos 60 do século passado, os meninos, gradualmente, foram sendo criados mais distantes do universo masculino e, consequentemente, mais próximos do comportamento feminino, chegando aos nossos dias ao ponto de meninos serem incentivados a usar roupas femininas e pintar as unhas de rosa. Nunca foi tão difícil ser homem!

A masculinidade foi colocada no centro de um circulo e “fuzilada” por todos os lados; era preciso se certificar de que não restaria mais nada dela, pois mesmo depois de sofrer duros golpes, perceberam que era necessário também “demonizar” sua memória, e toda referência às características alfas (força e bravura) dos homens das gerações passadas deveriam ser escarnecidas e silenciadas. Agora sim, o cenário estava pronto para o “novo homem” entrar em cena. E na última década do século XX, surgiu e se popularizou um novo conceito de homem – o metrossexual.

Uma palavra que define bem a metrossexualidade é: Narcisismo. É o homem amante de si mesmo. Extremamente preocupado com a aparência, investe seu dinheiro em roupas de marcas famosas, cosméticos, cirurgias plásticas, carros possantes - estão sempre antenados com as tendências da moda, especialmente, quanto ao corte do cabelo. Os músculos conseguidos na academia servem apenas para sua exibição, nunca para servir os mais fracos, normalmente é promíscuo, medroso e egoísta, odeia responsabilidades e qualquer coisa que exija muito tempo e trabalho. Os valores são relativos e a noção de honra é tida como coisa dos guerreiros da Idade Média. Foi esse fantasma que restou da masculinidade “fuzilada”.

Nós, mulheres, olhamos para esse fantasma e espantadas nos perguntamos: “Como chegamos a esse ponto?” “O que está acontecendo com os homens?” A resposta é: condenamos os homens por serem homens, deixamos claro que odiamos o que eles são e deveriam se tornar aquilo que passamos a exigir. Eles não pegaram espadas, lanças, fuzis, metralhadoras e lutaram contra nós, apenas atenderam a exigência. E agora que se tornaram o que exigimos que se tornassem, nós não os queremos mais. Como bem escreveu C. S. Lewis, na obra “A Abolição do Homem”:

"Numa espécie de mórbida ingenuidade, extirpamos o órgão e exigimos a sua função. Produzimos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Rimos da honra e ficamos chocados ao encontrar traidores entre nós. Castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis."

As transformações ocorridas em nosso mundo, desde o século passado, não mudou apenas as mulheres, mas os homens também, e hoje, estamos nos lamentando pelo que eles se tornaram. Não é o caso de constatarmos que, até dois séculos atrás, os homens eram perfeitos e maravilhosos, isso não! Desde a Queda que perfeição não faz parte da natureza humana. O ponto em questão é que mesmo os homens sendo pecadores eles ainda conservavam características louváveis no caráter, que eram expressas em atos de coragem, esforço, heroísmo, cortesia, gentilezas... No entanto, hoje, essas virtudes são consideradas ultrapassadas e os homens se tornaram autocomplacentes (ação de agradar e gratificar a si mesmo).

Mas bem diferente desse “fantasma”, vejamos algumas das encantadoras características da masculinidade bíblica:

Sacrifício: Característica preponderante da masculinidade bíblica, todas as outras são desencadeadas dessa. Ser um homem segundo o padrão de Deus significa, antes de tudo, dispor da própria vida em favor de outros. O maior exemplo de masculinidade bíblica que conhecemos é o de nosso Senhor Jesus Cristo, que a expressou em absoluta perfeição e majestade. Sua vida e Sua morte foram oferecidas como um sacrifício em favor de outros. Os homens são chamados a esse padrão, sendo que o ápice do seu sacrifício está na relação com a esposa (Ef. 5.25). Perceba o abismo entre a masculinidade bíblica e o homem contemporâneo (metrossexual) - este é egoísta, tem como prioridade seu próprio bem-estar, aquele busca e se esforça pelo bem do próximo.

Provisão: O marido é o provedor que Deus estabeleceu para suprir as necessidades da família. O fruto do trabalho do marido não deve ser para seu bel prazer, de modo egoísta, antes para o cuidado daqueles que foram colocados aos cuidados dele, isto é, sua esposa e seus filhos. Quanto a isso John MacArthur, escreveu:

“Quando sua esposa precisa de forças, dê-lhe força. Quando ela precisa de ânimo, anime-a. Qualquer que seja a necessidade dela, você tem a responsabilidade de suprir da melhor forma possível. Não esqueça: você é o provedor e protetor ordenado por Deus; quando você sentir que essa responsabilidade é pesada demais, lembre-se de que Deus é o seu Provedor e Protetor. Ele o ajudará a realizar tudo aquilo que requer de você.” (John MacArthur Jr. - Homem e Mulher)

Bravura: Em todas as civilizações os homens sempre assumiam o papel mais arriscado em favor da esposa, dos filhos e da nação. Foi a bravura de homens valentes que construiu as civilizações. Na ocasião em que Deus fala com Josué e o institui como sucessor de Moises (Josué 1.6), o Senhor diz que ele, além de ser forte, deveria ser também corajoso (ou em algumas traduções devia ter “bom ânimo”, significando que ele não devia se acovardar), isto é, ter bravura. Como vimos no resto da história, Josué passou por situações extremas, intensas, em que se exigia muita valentia pra suportar a pressão. A bravura nunca deve está associada a pessoas que estão prontas a brigar por qualquer motivo, isso é falta de domínio próprio. A bravura da masculinidade que honra a Deus é expressa em assumir as responsabilidades e enfrentar os problemas, é lutar com garra por aquilo que almeja, é enfrentar os riscos.

Força: Os homens, normalmente, têm um corpo maior e mais forte que o das mulheres, o corpo deles não possui tantos contornos quanto o corpo feminino que tem formas arredondadas, o que lhe confere uma imagem mais delicada. No entanto, a força física do homem não deve ser usada com brutalidade, como um animal selvagem, mas para servir, seja no trabalho ou em alguma situação em que se exige o seu uso, as sacolas pesadas que a esposa trás do mercado, por exemplo, é a oportunidade que o marido tem para colocar sua força a serviço de sua amada em algo tão simples. A nobreza da força está em saber usá-la, muitas vezes, um homem forte, terá que conter sua força para não fazer estragos, como em uma discussão no trânsito ou numa partida de futebol. Na relação com a esposa, ela deve olhar para a força do braço do marido e não sentir medo, mas se sentir protegida, sua força não é pra ser usada contra ela, mas a favor dela.

Liderança: A masculinidade bíblica, não poucas vezes, é expressa em termos de liderança. As características listadas acima (sacrifício, provisão, bravura e força) são necessárias para que a liderança masculina seja conduzida de modo honroso a Deus. Por exemplo, uma liderança não sacrificial pode ser déspota e egoísta, levando em consideração os próprios interesses e desconsiderando as necessidades dos outros, e assim, trazendo sofrimentos para toda a família. E como disse pastor americano Paul Washer:

“O homem tem autoridade na família como cabeça, não como César, mas como o Senhor Jesus Cristo.”

Depois de verificarmos apenas essas características, vocês percebem que não é fácil ser um homem dentro dos padrões bíblicos? Por essa razão quando Davi estava em seus últimos dias de vida, o conselho que deu a seu filho Salomão foi que ele deveria se esforçar para ser homem. É isso mesmo, se esforçar! Porque essas nobres características do modo como devem ser expressas são difíceis, por isso, muitos homens no passado até apresentavam algumas delas, mas de modo um pouco distorcido, especialmente aqueles que não tiveram o conhecimento do Deus verdadeiro. A força, por exemplo, podia ser usada para agressão e violência contra a própria família. Mas percebam que estou abordando a masculinidade bíblica, que deve ser vivida por homens regenerados para a glória de Deus. Essa masculinidade restaurada pelo Evangelho, notadamente, se verifica, que obteve sua mais elevada expressão na vida e no caráter do Eterno Filho de Deus. Os homens tem “somente” o Senhor Jesus como modelo de homem e de marido (Ef. 5.25)

Diante do que foi exposto, o clamor de todas nós, mulheres cristãs, que amamos nossa feminilidade e, pela graça soberana de Deus, estamos tentando resgatá-la, é que os homens assumam seus postos, que sejam homens como o Senhor Jesus, na medida de graça que Deus lhes conceder para crescer em semelhança a Ele, que assumam suas responsabilidades, que sejam os homens que nossas famílias, nossas igrejas e nossa sociedade precisam, que tenham a coragem de ser diferente dessa geração autocomplacente de “homens Peter Pan”. Assim como eles precisam de nossa feminilidade, nós precisamos da masculinidade deles, pois se complementam. Nossas diferenças são importantes e não devem ser desprezadas. Há uma enorme riqueza na diversidade entre o homem e a mulher, e a tentativa de apagar essas diferenças só empobrece a humanidade e não tributa glória a Deus que as criou e abençoou.

Sonaly Soares

13 comentários:

  1. Amém!
    Glória de Deus seja revelada através dos seus.

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  2. Estamos montando um grupo de estudos só com homens, procurando fazer coisas de homens, estudando sobre como ser um homem de verdade, ou seja, imitando JESUS CRISTO.Fiquei feliz por vc ter essa visão da necessidade de homens de verdade na nossa sociedade. Muito bom seu estudo! Deus abençoe a sua vida e lhe dê mais entendimento para edificar vidas com seus estudos.

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    1. Que coisa maravilhosa Marcos!

      Que o Senhor Jesus abençoe esses estudos e mais homens sejam incentivados a buscarem redescobrir sua verdadeira masculinidade através do exemplo de Jesus.

      Deus te abençoe.

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  3. Humildade, santidade e amor ao Senhor Jesus.

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  4. Que texto maravilhoso, venho pensando sobre isso a muito tempo e fico triste pela carência e homens de verdade em nosso meio, até mesmo no meio cristão. Creio no poder da oração e que esses valores podem ser restaurados afinal a feminilidade e a masculinidade se completam e forma linda, da maneira que o nosso criador planejou.

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    1. Olá, Lidia!

      É muito triste realmente, que tenhamos perdido os reais sentidos de masculinidade e feminilidade, mas glória a Deus por Sua graça que nos restaura para sermos aquilo que Ele nos criou para sermos: Homens e mulheres que amam a Deus.

      Deus te abençoe.

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  5. Uma reflexão sobre a mulher:
    http://www.celebrandodeus.com.br/uma-reflexao-sobre-a-mulher

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