1 de novembro de 2016

Série: A luta pela pureza – Contra a Pornografia, a Masturbação e o Sexo ilícito (Parte 2)


Masturbação

Devido a ausência de textos bíblicos que retratem sobre esse assunto de masturbação, muitas pessoas tem dúvidas se há ou não licenciosidade nessa prática. A cultura e a mídia nos ensinam que não há nenhum problema, e a influência acompanhada da pecaminosidade humana, resultam em quase uma totalidade de jovens que alguma vez na vida já se masturbaram. E já que não se encontram textos bíblicos que claramente reprovam essa prática, ela passa a ser vivenciada dentro do contexto cristão, e argumentos são fisgados para tranquilizar a consciência que intrinsecamente a reprova.

Masturbação, assim como a pornografia, produz culpa e vergonha, e ambas fazem parte do mesmo pacote. Pornografia existe com o objetivo específico de excitação sexual, que por sua vez culmina em masturbação. E masturbação necessita de imagens sexuais como seu estímulo, sendo impossível sem as tais, que são muitas vezes oriundas da pornografia.

Pensamentos de luxúria são despertados com a masturbação, e luxúria é explicitamente pecado segundo a Bíblia (Inclusive, esse assunto já foi abordado no primeiro texto dessa série). Então mesmo que a masturbação não fosse pecado, ela ainda seria ilícita por redundar em pecado: a corrupção presente da mente. Todavia, veremos que a masturbação é pecado, por ser em sua natureza um sexo egocêntrico, centrado apenas no indivíduo em enfoque, podendo se tornar um ídolo do coração. Como Jeffrey Black¹ aponta:

“A masturbação é o sexo consigo mesmo. Se faço sexo comigo mesmo, não tenho de investir em outra pessoa. As pessoas que são viciadas em pornografia não são tão viciadas nesse tipo horrível de material quanto são viciadas no egocentrismo. Elas se comprometem em servir a si mesmas, fazendo tudo que podem para achar um modo conveniente para não morrer para si mesmas, que é a natureza do companheirismo em um relacionamento.”

O sexo designado por Deus é sobre servir e amar ao outro, e não sobre servir a si mesmo, com vista apenas no seu próprio prazer imediatista.

A prática sexual deve ser reservada para o enlace do matrimônio, e mesmo se não recebermos essa benção matrimonial, nosso dever de permanecermos castas não se altera. Erwin Lutzer² assegura que:

“Quem estiver revoltado contra Deus por não ter lhe dado um cônjuge, provavelmente nunca irá conseguir superar a tentação. Ele pensa assim: ‘Mereço este pequeno prazer, porque me sonegaram outros’; e ao enfrentar a tentação, rende-se a ela. Deus tem todo o direito de fazer com os seus aquilo que deseja, e se não aceitarmos esse fato, fracassaremos na batalha contra o pecado [...] Deus quer que estejamos contentes, mesmo tendo desejos não satisfeitos. Ele deseja ensinar-nos que a vida não consiste apenas na realização sexual.”

Nossa vida não consiste primariamente em nossa satisfação sexual, mas em nossa satisfação em Deus.

Se você luta contra o pecado da masturbação ou contra qualquer outro pecado lascivo, saiba que você não está sozinha nessa luta. Milhões de mulheres cristãs, casadas ou solteiras, enfrentam tentações semelhantes todos os dias. O que faz a diferença é o empenho que dedicam nela. Precisamos anelar a pureza que o Senhor deseja ver em Suas amadas filhas, e enquanto houver fôlego em nós, que prossigamos no conhecimento de Sua vontade. Por conseguinte, aprenderemos abaixo sobre a perspectiva divina acerca do sexo.

Uma visão bíblica acerca do sexo

​Em toda a Idade Média foi inculcada na mente das pessoas pela Igreja Católica que o sexo é em sua essência mal, proveniente da queda, sendo necessário e permitido apenas para a procriação e perpetuidade da raça humana, pois o prazer macula o ato sexual e o melhor mesmo era não praticá-lo, mesmo quando no casamento. Foi nesse período que o celibato e a virgindade foram exaltados como caminhos mais excelentes, e que os clérigos foram proibidos de casar.

Os puritanos, por sua vez, rebateram esse pensamento da Igreja Católica com a visão bíblica do casamento e do sexo. Eles afirmavam que a virgindade nunca é superior ao casamento, visto que este “foi ordenado por Deus, e ‘isso, não neste mundo pecaminoso, mas no Paraíso, aquele mais alegre jardim de prazer’”³. O sexo para os puritanos não era apenas permitido, mas era um dever do casamento, e eles o viam como um dos mais doces presentes de Deus concedido aos homens. Cabia aos cônjuges se satisfazerem mutuamente, e acima de tudo, se amarem com um amor ardente, exclusivo e incircunstancial.

"De acordo com John Wing, amor de um marido por sua mulher ‘deve ser o mais caro, íntimo, precioso e completo que um coração possa dirigir a uma criatura, exceto o amor de Deus... está acima dele, nenhum exceto o amor por nós mesmos é companheiro dele, todo o amor pelos outros é inferior a ele’. Um erudito moderno resumiu a situação dizendo que ‘o amor era o cimento da família puritana e o sexo era visto como um dos meios de expressar esse amor’”³.

Ao conhecer essas coisas entendemos que os puritanos foram verdadeiros revolucionários em sua época, e contribuíram significamente para um retorno à vontade de Deus. O sexo não é intrinsicamente mau, porque foi criado por Deus (Cl 1:16), e tudo o que Deus criou é bom, e para a Sua glória (Rm 11:36), e devemos receber suas bençãos com ações de graças (I Tm 4:4). Foi Ele quem nos deu impulsos sexuais, então eles não são pecaminosos; o pecado se manifesta quando corrompemos aquilo que recebemos do Supremo Criador. Toda confusão sexual que existe surgiu após a queda, devido à depravação moral dos homens. É por causa de nossa natureza pecaminosa que precisamos lutar contra todo este aparato sexual da modernidade, a fim de sermos puros neste mundo, “pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação” (I Ts 4:7). Foi o Senhor quem nos deu impulsos sexuais, e Ele proveu os meios adequados para satisfazê-los: o casamento.

A pornografia e a masturbação, bem como tudo o que envolve deturpação sexual, contribuem para a redução do sexo a um mero prazer físico, enquanto que o Criador o determinou com propósitos maiores e mais nobres. A relação sexual é mais do que uma união de corpos, é também uma união de emoções, mentes e almas, sendo a forma que marido e mulher se tornam uma só carne (Gn 2:18). O sexo só pode ser vivido em sua completude dentro do casamento, com pessoas que se comprometeram a estarem juntas até que a morte os separe.

Deus é glorificado quando os Seus filhos desfrutam do sexo como Ele prescreveu que fosse desfrutado, e a Sua vontade redunda no verdadeiro prazer e felicidade deles. Ninguém melhor do que o doador do sexo para orientar sobre como vivê-lo!

 Sexo ilícito

Após darmos uma pincelada no sexo segundo a visão bíblica, veremos um pouco sobre o sexo ilícito, que nada mais é do que toda forma sexual que diverge dessa visão. Focaremos em duas categorias:

Fornicação
Fornicação na Bíblia representa todo ato sexual realizado antes do casamento. Como cristãs, já fomos orientadas que a castidade deve ser preservada até o compromisso do matrimônio, entretanto, vemos muitos casos de cristãos abrindo mão da vontade de Deus para cumprirem suas próprias vontades, sacrificando suas purezas por alegarem não terem o controle sobre seus próprios impulsos. Realmente nunca conseguiremos vencer os nossos impulsos somente com as nossas forças, mas “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,... domínio próprio.” (Gl 5:22-23). Deus nos presenteou com o Espírito Santo, que produz em nós o domínio próprio e nos conduz em toda boa obra. Cultivemos o fruto do Espírito, pedindo ao Senhor que Ele nos faça plenas Dele, e assim obtermos maior resistência contra o pecado.

Que nos apeguemos aos princípios bíblicos, preservando a nossa pureza sexual, incircunstancialmente.

Adultério
O adultério, por sua vez, é toda forma sexual cometida fora do casamento. O Senhor Deus disse: “Não adulterarás” (Dt 5:18), e o Senhor Jesus trouxe um maior entendimento acerca disso quando disse: “Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já cometeu adultério com ela” (Mt 5:28). Os judeus tendiam a observarem apenas as práticas externas da Lei, enquanto o Senhor se preocupava mais com o interior, com as intenções dos seus corações. Portanto, a fidelidade no casamento inclui as intenções sexuais, e não apenas os seus atos. E Deus julgará toda manifestação adúltera (Hb 13:4); Ele esquadrinha inteiramente as pessoas e tem todas as obras delas diante da Sua vista (Jr 17:10).

A fidelidade para com o cônjuge é independente do próprio cônjuge, pois o modelo de amor que nos foi deixado é o de Cristo e a Sua noiva (Ef 5:22-33). Cristo nunca dependeu da Igreja para amá-la, pelo contrário, Ele a ama apesar de toda incompatibilidade e indignidade que ela apresenta. Ele a ama com amor sacrificial. Sei que esse é um padrão elevado para pecadores, mas se você é casada, querida irmã, peça sempre graça ao Senhor, para amar e respeitar o seu marido, mesmo se ele não for o que você queria que ele fosse. Seja fiel a ele, tendo em vista a fidelidade que precisa ter para com o teu amado noivo, Jesus Cristo.

Desde a Queda, o sexo vem sendo distanciado do padrão de Deus. Há várias outras formas que se enquadram no sexo ilícito, como o homossexualismo, o lesbianismo, o incesto, a prostituição, as orgias, e tudo o que resulta em imoralidade sexual e depreciação da dignidade das pessoas.

​Faz parte de nossa missão resgatar os valores bíblicos, embora na sociedade corrompida em que estamos, onde tudo gira em torno do prazer próprio. Podemos com as nossas vidas mostrar para as pessoas que o doador do sexo é melhor do que o sexo, e que uma vida satisfatória é uma vida centrada na Sua vontade. A nossa pureza custou muito caro para o Filho de Deus, e não vale a pena viver para aquilo pelo qual um dia morreu. Toda luta pela pureza é válida, e mesmo que isso implique na morte do nosso eu, estejamos contentes: a vida de Alguém mais excelente está resplandecendo em nós.

Thayse Fernandes
_________________________
¹ Sexo Não é Problema (Lascívia, Sim) - Joshua Harris.
² http://www.monergismo.com/textos/sexualidade/masturbacao-errado_lutzer.pdf
³ RYKEN, Leland. Santos no mundo: Os puritanos como realmente eram. Fiel: São José dos Campos.

8 comentários:

  1. Amém!!! Final maravilhoso!!! Deus abençoe!!! De grande valor!! Que Jesus possa sempre ser o centro de suas pregações!!! Muito bom!!! ;-)

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    1. Amém Quesia!

      Que o Senhor te abençoe também.
      Um abraço!

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  2. O livro "A Batalha de toda a Mulher", também é uma boa referência para esse tema!

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    1. Oi Albaneide!

      Grata pela indicação.
      Deus te abençoe. Um abraço!

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  3. Muita bom!!! Que o Pai continue vos abençoando 💜

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    1. Amém Monique!

      O Senhor te abençoe igualmente.

      Um abraço!

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  4. Toda luta pela pureza é válida! Que frase forte, certamente muito impactante e atual. Hoje em dia esse "extremo acesso" quanto a sensualidade, sexualidade, capas de revista dizendo isso e aquilo sobre o sexo, não sei quantas posições para encontrar o ponto X, enfim... Esse grito de que temos que nos achar, nos descobrir; Quando na verdade tudo o que nós precisamos é respeitar as fases, de menina, moça, jovem, mulher... buscando em Deus viver o melhor que Ele tem para nossas vidas, ser mulher é presente de Deus.
    Sexo é presente de Deus para o casamento. Pois é com amor, com o cônjuge de nossas vidas que vamos descobrir as melhores experiências vivendo, jamais comparando o que a "revista" colega diz...

    Graça e paz!
    Beijos que venham mais séries edificantes para nos fortalecer <3

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    1. Isso mesmo Eva! O Senhor derrame sua graça sobre nós.

      Deus te abençoe. Um abraço!

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