26 de setembro de 2016

Um lugar seguro


Uma doce recordação de minha infância consiste quando ingressei à escola. A ansiedade de conhecer minhas “tias”, meus coleguinhas, das aulas de artes, do recreio, enfim, não cabia dentro do meu pequeno coração a alegria de um novo mundo que iria conhecê-lo e com ele desfrutar de suas peripécias. Todavia, para ganhar essa nova aventura seria necessário “perde”, mesmo que por uma tarde, o conforto e os mimos de casa. Isso porque, naquela época, desconhecia a existência de um lugar mais confortável e aconchegante do que a proteção do lar. Compartilho essa recordação com as queridas irmãs, pois, à medida que o tempo foi passando compreendi que assim como o salmista assevera que o Senhor é uma fortaleza e refúgio (Salmos 18.2) também percebi que não existe lugar mais seguro do que descansar a alma naquele que a criou, pois somente em Deus há plena satisfação e fora dEle há infelicidade.

Quando Deus se revela a nós passamos a desfrutar de um amor único e sacrificial, pois, passamos a andar sob a direção do Espírito Santo (Gálatas 5.24-25) e assim somos um em Cristo (Gálatas 3.28). Encontramos, assim, que a Palavra do Senhor é pura e os que confiam nela estão sob sua égide (Provérbios 30.5). Dessa forma, vislumbramos que somente em Cristo existe refúgio contra as intempéries desse mundo com padrões néscios. Pois, à medida que desfrutamos de conhecer o Senhor Jesus, uma vez que há plena satisfação em meditar em sua Palavra, deleitamo-nos nEle. Visto que, para usufruir desse lugar seguro é necessário conhecer o proprietário: Jesus Cristo. Sendo assim, destaco o exemplo da mulher pecadora do evangelho de Lucas, pois, a mesma reconheceu que era pecadora (Lucas 7.37), mas, estava arrependida (Lucas 7.38), pois, possuía um amor profundo ao Senhor Jesus (Lc. 7.43-46), e com isso Cristo acolheu à mulher, perdoou seus pecados e deu-lhe paz (Lc. 7.44-50).

Dessa forma, para apreciarmos do refúgio que Cristo Jesus oferece é preciso compreender que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam ao Senhor (Romanos 8.28) e, assim, cada propósito tem seu tempo predestinado (Eclesiastes 3.1). Uma das mulheres do Antigo Testamento que apreciou o tempo de Deus foi Ana. A mãe do profeta Samuel compreendeu que o Senhor determina que todas as coisas tenha seu próprio tempo para acontecer, sendo assim, “Ana concebeu, no tempo devido, um filho, ao qual chamou de Samuel” (1Samuel 1.20). Ana regozija-se na grandeza de Deus por estar sob sua égide “Não há ninguém santo como o Senhor, não há outro alem de ti, não há rocha como o nosso Deus.” (1Samuel 2.2), e na sua graça em ter realizado no tempo predestinado o desejo de ter concebido um filho “Eu orava por este menino, e o Senhor me concedeu o pedido que fiz” (1Samuel1.27).

Portanto, como servas piedosas, a primazia para se deleitar do refúgio que Deus oferece consiste em conhecer ao Senhor Jesus como redentor de nossas almas, compreender que nossa natureza é pecaminosa, mas que e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado (1João 1.7b). Para que dessa forma, venhamos a perseverar em oração, deleitar-se na meditação de seus preceitos e ter um coração puro e um espírito inabalável que anseia em realizar e conhecer a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor Jesus Cristo. Vivamos, pois, em abnegação da natureza velha, revestidas por uma mansidão sagrada e uma coragem invencível. Sendo assim, que todo o desejo de estar sob a égide do lugar seguro ofertado por Deus não seja apenas um local visível, mas um lugar de inigualável valor para deleite da alma, que só encontramos em Jesus Cristo a plena satisfação. Façamos como o salmista: “Protege-me, ó Deus, porque em ti me refugio.” (Salmo 16.1).

Por conseguinte, deixo como reflexão um lindo poema de uma das grandes mulheres da reforma protestante do século XVI. A rainha Margaret de Navarra que foi à primeira rainha reformada. Portadora de uma beleza inigualável que foi ofuscada pela bravura de sua alma em defender e preservar os manuscritos e também os primeiros reformadores de sua época. Uma vez que as perseguições se alastravam cada vez mais intensa e sempre violenta a rainha Margaret lutou e defendeu os ideais da reforma e não se abalou com sofrimentos advindos do movimento, todavia, confiou no Senhor sabendo que a sua graça era melhor que a vida, pois, creu que se tornara filha de Deus e coerdeira de Cristo e isso foi suficiente para viver.

“Ó, que logo venha o dia, Senhor,
Tão almejado por mim,
Quando, pelos laços do divino amor
Eu serei atraída a Ti.
E, unidos em eterna vida,
Eu a esposa, e Tu o marido.

O dia deste casamento, ó Senhor,
Meu coração tanto anseia ver
Que nem a fama, riqueza ou posição
A mim poderão trazer.
Para mim o mundo não mais
Deleite algum pode render,
A menos que Tu, Senhor, comigo estejas,
Eis que tudo é noite e densa escuridão.”



Mysia Rebeca
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GOOD, James I. Grandes Mulheres da Reforma. 1.ed. Ananindeua: Knox Pulicaçoes, 2009.

2 comentários:

  1. Depois de ler-te, Mysia fiquei sem palavras até para deixar um comentário, rs
    Fico muito feliz que a cada dia que nos achegamos a ELe, mais dependentes nos tornamos e mais íntimos somos. O nosso Amado não nos deixa faltar absolutamente nada, nos guarda, protege, guarda, esconde, nos ama muito a ponto de ter ciumes de nós. E nELe podemos confiar, nunca duvidar. Graça e paz @>---

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    1. Olá, Eva!

      É sempre um estimulo ler seus comentários. Que nos acheguemos a nosso Senhor sempre mais e mais.

      Um abraço.

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