23 de maio de 2016

“Ministério Abelhas”



Pela infinita graça e bondade do Senhor, tive o privilégio de participar do congresso de jovens da minha igreja, cujo tema foi: “Reforma Agora”. Na primeira mensagem que foi ministrada, o pastor trouxe um antigo aforismo propagado por muitos, que servia para referir-se aos cristãos “desigrejados” e problemáticos: “crentes abelhas - quando não estão voando, estão fazendo cera”. Essa expressão inquietou o meu coração de tal maneira que indaguei: somos mesmo abelhas? Será que estamos sendo “o sal da terra e luz do mundo”(Mateus 05.13-14)? E se formos, estamos transformando o mundo pela renovação de nossas mentes como o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12.2? São várias as indagações e mais lamentável ainda suas respostas. E é com grande pesar que encontramos a triste, porém, realidade da igreja brasileira em ruínas.

No século XVI, o então monge agostiniano da região da saxônia, Martinho Lutero, protestou afixando à porta da igreja de Wittenberg as suas Noventa e Cinco Teses. Promulgou-se, assim, a reforma protestante. Tendo como convicções e práticas protestantes: sola Scriptura, solo Christo, sola gratia, sola fides, soli Deo gloria, que sistematizam os credos teológicos da reforma. Entretanto, no decorrer do tempo houve um grande abandono do credo e das confissões que moldaram a fé da igreja. Estamos sendo bombardeados pelo liberalismo teológico e contaminados pelo pragmatismo e pelo relativismo. A “teologia” pregada pelos Reformados, se tornou algo obsoleto, devido à visão pragmática, antropocêntrica e mercantilista de algumas igrejas. A piedade, o zelo e o amor pelo evangelho genuíno de Cristo Jesus esvaziaram-se do coração de muitos.

Vivemos o reinado do relativismo, tendo como enfoque a “busca pela felicidade”, que para muitos, é viver da forma que a sua vã filosofia afirma ser correta e para isso, vale tudo. Até mesmo distorcer a hermenêutica das Sagradas Escrituras e promulgar uma teologia com cosmovisão humanística e secularizada, na qual as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Visto que, se for ministrada uma mensagem (sobretudo uma mensagem que não pode ser sobre submissão, pois, para as denominadas “feministas-cristãs” a submissão é algo opressor e fere os direitos das mulheres) e não agradando o ego, torna-se obsoleta e consequentemente, a irmãzinha faz jus ao referido aforismo supracitado, sai  “voando”, à procura de outra igreja. 

Todavia, a Palavra de Deus afirma que como corpo de Cristo que somos (1Coríntios 12.27), também participamos de seus sofrimentos e não vivemos para nós mesmos, pois, crucificamos a carne juntamente com suas paixões e desejos (Gálatas 5.25) e assim, precisamos da unidade de ser um só corpo com Cristo (1 Coríntios 12.13). Consequentemente, não é possível viver uma vida cristã como esse aforismo faz referência. Visto que, outrora antes de ser utilizado o verbete “cristão”, dava-se aos seguidores de Cristo o nome de “o Caminho”, porque haviam encontrado o caminho de como se deve viver, pois, no evangelho de João 14.6, lemos: “Assegurou-lhes Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Façamos também como o salmista que tinha sempre, como petição, um coração puro (Salmos 51.10), uma vez que estamos arraigadas em conhecer a lei do Senhor, amamo-la e ninguém nos faz tropeçar (Salmos 119.165), porque a nossa estima é meditar e conhecer o verdadeiro evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Portanto, queridas irmãs, a resposta para as indagações acima, consta sobre como nós, à igreja, propaga o genuíno Evangelho de Cristo. Sendo assim, como cristãs e servas idôneas, para voltarmos a possuir a fé, a piedade e o zelo da igreja primitiva é necessário suplicar ao Senhor, por meio da oração, por um espírito obediente, quebrantado e um coração contrito (Salmo 51.12-17); pedir a sabedoria pura que só vem dEle(Tiago 3.17); ser guiada pelo Espírito Santo de Deus, como Filipe foi (Atos 8.29); semear com lágrimas, pois, voltaremos com cânticos de júbilo (Salmo 126.5-6) e crer que a Palavra do Senhor tem poder e assim cumprirá com o propósito para o qual foi determinada (Isaías 55.11). Que possamos viver e nos deleitar no verdadeiro Evangelho, para que haja uma reconstrução da igreja e que suas raízes venham a ser arraigadas firmemente pelo poder que há nas Sagradas Escrituras. 

Mysia Rebeca

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