15 de fevereiro de 2016

“Eu sempre vos amei, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado?” (Ml 1.2a)


A mensagem do livro de Malaquias nos é apresentada em uma estrutura de diálogo constituído por uma declaração de Deus, um questionamento do povo a essa declaração e a resposta de Deus ao questionamento. O primeiro diálogo do livro está no capítulo primeiro, do versículo 1 a 5, que trata do amor de Deus por Israel.

Embora o prólogo da profecia indique que é uma sentença contra Israel (1.1), Deus inicia declarando o seu amor fiel pelo povo, dizendo que sempre os amou (1.2). Se os judeus olhassem para a sua história, podiam ver claramente Deus manifestando continuamente seu amor por eles, pois foi esse povo que Deus escolheu para fazer uma Aliança, os preservou de serem destruídos, lhes entregou as promessas mais preciosas, inclusive, a que seria da descendência deles que viria o sangue da realeza na terra, Deus se revelou a eles de uma forma que não fez a nenhum outro povo, mas mesmo assim, o povo perguntou, obstinadamente: “Em que nos tens amado?” Nesse questionamento se percebe que eles estavam medindo o amor de Deus pelas circunstâncias em que estavam vivendo e que não eram muito favoráveis, pois eram vassalos de um rei estrangeiro, pagavam pesados tributos aos persas, moravam de aluguel em sua própria terra e as colheitas não eram abundantes, por conta disso, estavam questionando a efetividade do amor de Deus comparando-o a situação de opressão e sofrimento em que estavam vivendo.

Deus, então, misericordiosamente, responde a esse questionamento usando dois argumentos:

 1. A eleição incondicional de Jacó: O Senhor pergunta: “Não era Esaú irmão de Jacó? todavia amei a Jacó”, aqui Deus está se remetendo ao episódio de Gênesis 25:21-26, onde narra o nascimento deles e mesmo quando ainda estavam no ventre, o Senhor disse que o maior serviria o menor, e como Esaú foi o primogênito isso já indicava que Deus havia escolhido Jacó para dá continuidade a Aliança. O escolheu soberanamente, pois Jacó não era de modo nenhum melhor que Esaú. A eleição não foi baseada em méritos, pois embora os dois fossem da mesma linhagem, a de Abraão, e ainda que Esaú fosse o primogênito, Deus escolheu Jacó. Então o Senhor está dizendo que a prova do Seu amor por eles não estava nas circunstancias em que eles se encontravam, mas no fato dEle ter elegido esse povo quando escolheu o patriarca Jacó.

2. A rejeição de Esaú: O povo precisava entender o que significa não ser amado por Deus e o Senhor usa o exemplo de Esaú e a sua descendência para mostrar isso aos israelitas. Embora Esaú fosse o irmão mais velho de Jacó e por definição o herdeiro principal, Deus diz que o rejeitou e fez dos seus montes uma desolação e deu sua terra aos chacais do deserto (1.3), essa é a forma de Deus dizer que havia destruído a nação que fora construída pelos edomitas, isto é, os descendentes de Esaú, e nos dias em que Malaquias estava entregando essa mensagem aos israelitas, os edomitas já não existiam mais como uma nação. E Deus ainda diz que mesmo se eles se edificassem (1.4), ou seja, se organizassem de novo como uma nação, o Senhor os destruiria, porque eles são o povo contra quem Deus está irado para sempre. Com isso o Senhor está mostrando a preciosidade que há no fato deles serem o objeto do Seu amor eletivo, coisa que Esaú e seus descendentes não foram, mas o contrário, foram o objeto de Sua ira. E assim como Deus estabeleceu que arruinaria a descendência de Esaú para sempre, Ele também decretou que preservaria a descendência de Jacó.

Com isso Deus termina de responder esse primeiro questionamento do povo concluindo no versículo 5, onde faz uma chamada a Sua grandiosidade, dizendo que quando eles entenderem o quanto Deus os tem amado e o quanto Ele tem demonstrado esse amor ao preservá-los, mesmo que nações muito maiores e mais fortes tenham sido destruídas, eles não foram porque Deus os tem protegido, e quando eles entenderem isso, então dirão: “Grande é o Senhor além dos limites de Israel” (1.5).

Esse diálogo de Deus com os israelitas nos traz ensinamentos muito oportunos e faríamos bem se atentássemos para eles. Se somos parte do povo de Deus, precisamos acreditar que Ele realmente nos ama, mas não são poucas as vezes em que as situações difíceis nos fazem duvidar do Seu amor por nós, quem nunca se perguntou: “Se Deus me ama, porque estou passando por isso?” Quando as coisas não acontecem do jeito que esperamos, quando somos levadas aos vales escuros da vida, pensamentos perturbadores povoam nossa mente para nos levar a duvidar da verdade imutável de que Deus nos ama.

O Senhor respondeu aos israelitas que a prova do Seu amor não estava nas circunstâncias em que eles se encontravam, mas no fato deles terem sido elegidos dentre todos os povos como a propriedade exclusiva de Deus.

Não olhe para os problemas da sua vida e pense que a existência deles implica na ausência do amor de Deus por você, lembre-se que o Senhor nunca prometeu que nessa vida você não passaria por sofrimentos, mas Sua Palavra nos assegura sim, que todas as coisas, inclusive o sofrimento, contribuem para o nosso bem. E esse bem não é o bem-estar da nossa carne, a satisfação da nossa natureza pecaminosa, mas o bem maior, que é a conformidade ao caráter perfeito de Jesus Cristo. Nenhuma de nós tem o direito de duvidar da legitimidade desse amor. Certa vez o puritano John Owen escreveu:

“A maior tristeza e peso que você pode dar ao Pai, a maior indelicadeza que você pode fazer a Ele é não crer que Ele te ama”.

O apostolo Paulo na Carta aos Romanos pergunta: “Aquele que não poupou nem o próprio Filho, mas, pelo contrário, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32). E no final do capítulo oito de Romanos, Paulo lista uma série de coisas que fazem parte da vida dos cristãos nesse mundo, questionando se elas poderiam nos separar do amor de Deus, e a resposta é que nada poderá nos separar desse amor que foi manifestado na pessoa bendita de nosso Senhor Jesus Cristo.

Deus nunca deixará de nos amar, e Ele prova isso no fato de ter nos escolhido em Cristo para sermos parte de Sua família. Que venhamos a refletir sobre a preciosidade desse amor imutável e que peçamos perdão a Deus com o coração quebrantado, por todas as vezes em que a dor na nossa carne e o sofrimento do coração nos deixou tão insensíveis e incrédulas que nos fez duvidar de Suas palavras fiéis e verdadeiras de que Ele nos ama com amor eterno (Jr 31.3). 

Sonaly Soares
www.facebook.com/sonalyteo.ref
Texto originalmente publicado no blog "Cristãos Contra o Mundo"

4 comentários:

  1. Que texto maravilhoso e edificante! As circunstâncias não abalam, alteram, nem significa que Ele não nos ama! Pelo contrário! Tudo é para nosso crescimento! Que possamos crescer no Senhor sem jamais duvidar do seu amor eterno!
    www.momentosassim.com.br

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    1. Olá, Allen1

      Verdade, nada pode mudar o amor de Deus por nós.
      Lindo o seu blog.

      Deus te abençoe.

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