28 de dezembro de 2015

Mais um ano se vai... A transitoriedade das coisas e o anseio pelo eterno.


              A maioria dos cristãos não tem muita disposição para meditar no livro de Eclesiastes, conhecemos alguns poucos versículos e nada mais. Isso talvez se deve ao tom deprimente com que boa parte da mensagem é apresentada, pois esse livro nos chama as realidades das quais nós preferimos não pensar, como a morte, por exemplo. Mas é verdade também que não estamos familiarizadas com o estilo da poesia oriental antiga e as características idiomáticas do livro dificultam a tradução tendo algumas palavras que apresentam pra nós apenas um aspecto do que os termos hebraicos significam em sua inteireza, é claro que isso não compromete a mensagem do livro, apenas exige de nós mais dedicação para entendermos a semântica das palavras no hebraico, ou seja, o que essas expressões significavam para os hebreus do tempo em que o livro foi escrito e não para nós ocidentais do século XXI. Uma dessas palavras é “hevel”, que perpassa todo o livro e na maioria das nossas traduções o termo equivalente é “vaidade”, mas literalmente significa “vapor”, como uma densa fumaça que se dissipa traz a ideia de brevidade de tempo, algo que não possui importância real. Embora na língua portuguesa possua ideia semelhante, pois a palavra vaidade provém do latim “vanitas” que expressa o sentido básico de “em vão”, o senso-comum limita o termo a preocupação estética.

            Eclesiastes tem por objetivo descobrir qual o propósito da vida debaixo do sol e o que de fato pode conceder aos homens a satisfação plena. Ele investiga as mais diversas ocupações humanas buscando descobrir se existe na terra alguma coisa que tenha valor duradouro, mas depois de esquadrinhar tudo o que o mundo pode oferecer, ele conclui que tudo é “vaidade de vaidades!” (hevel havalim), a repetição das palavras é a forma do hebraico trabalhar o superlativo, assim nesse refrão ele insiste em dizer que a vida depois da queda, debaixo do sol é extremamente vazia, inútil, inquieta e frustrante. É claro que ele está analisando a existência humana a partir de um processo “autônomo” onde a vida acontece sem o referencial Divino. O pregador se lança nos mais diversos caminhos buscando encontrar o real significado da sua existência: provou a alegria, os prazeres do vinho, as festas, construiu casas, plantou vinhas, foi um bem sucedido empreendedor, amontoou riquezas, foi servido por muitos, provou os encantos da musica e da culinária, teve muitas mulheres, um nome poderoso e respeitável, teve tudo o que seus olhos desejaram e não privou o coração de alegria alguma, no entanto, depois de ter vivido tudo isso ele conclui que é como “correr atrás do vento”.

            Todo ser humano vive nessa busca frustrante em descobrir o real propósito da sua existência, tentando encontrar na própria criação a satisfação plena, se apegando as coisas transitórias e assim buscando preencher o seu coração, mas veja o que diz Eclesiastes 3.11b: “Deus… pôs a eternidade no coração do homem”. Enquanto nos desgastamos pelo o que é efêmero, somente o que é eterno pode nos satisfazer plenamente. Existem necessidades em nosso coração de um tipo que as coisas desta vida podem atender temporariamente, mas jamais de forma profunda e eterna, Deus ao colocar a eternidade no coração dos homens cria um lugar no centro do nosso ser para Ele, e somente Ele habitar, de modo que toda tentativa de se buscar uma vida à parte disso é “tudo vaidade”, não faz sentido e não há satisfação plena. Em Eclesiastes vemos caminho após caminho, todos sendo incansavelmente explorados até chegar ao ponto do nada, porque no final apenas um caminho ficará, depois de todas as tentativas de se encontrar o significado real da existência humana o pregador diz que a única coisa que importa nesta vida é isso:

 “Temer a Deus e guardar os seus mandamentos” (Ecl 12.13).

Estamos no final de mais um ano e quantas de nós podemos dizer que conseguimos aproveitar bem o tempo que Deus nos deu? De tudo o que nos desgastamos para alcançar o que de fato tem importância real? Quantas de nós não estamos correndo atrás do vento? Toda atividade humana que não tem por finalidade engrandecer o Admirável e Santo Nome de Deus é vaidade, é vapor, logo se dissipará não ficando nada em nossas mãos e nem em nossos corações, nos levando a continuar em todos esses caminhos frustrantes que Eclesiastes percorreu, para concluirmos que não valeu a pena todo o tempo empenhado em coisas que no final serão reduzidas a cinzas, porque esse mundo já foi julgado e está com seus dias contados, mas ainda assim, insistimos em colocar nossas mais profundas afeições em coisas passageiras que não podem nos dá o que ansiamos: A felicidade. Ainda que nessa vida tenhamos tristezas o caminhar lado a lado com o Senhor em uma profunda e doce comunhão, nos concedi a felicidade que dez milhões de mundos com todos os seus encantos não poderiam nos proporcionar. Conhecer a Deus, amá-lo e obedecê-lo é a única coisa que realmente importa e o propósito para o qual fomos criadas e é também a única coisa que nos satisfaz.

            É costume no final de cada ano as pessoas avaliarem o ano que está findando e fazerem planos para o próximo. Que tal nesse momento de reflexão colocar Deus como prioridade em tudo o esperamos para 2016? Todos aqueles sonhos que temos de casamento, novo emprego, cursos que desejamos iniciar, ter filhos, comprar um imóvel, ampliar os negócios e tantos outros, podemos aproveitar esse momento de reflexão e colocar Deus no centro de todos esses projetos e nos esforça para que Ele possa ser visto em tudo o que venhamos a fazer, porque à parte de Deus todos os empreendimentos dessa vida são reduzidos à tônica angustiante do pregador: “Vaidade de vaidades! tudo é vaidade”.

Que 2016 seja cheio da graça santificadora de Deus sobre nossas vidas!

Sonaly Soares

*Texto originalmente publicado no Blog Cristãos Contra o Mundo. Feita algumas adaptações. 

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