16 de outubro de 2017

Série: A gloriosa doutrina da justificação – A necessidade

21:09

“Graça maravilhosa! Como é doce o som
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui encontrado
Era cego, mas agora vejo [...]”
(Graça Maravilhosa – John Newton)

O tão famoso hino Graça Maravilhosa, no original Amazing Grace, de John Newton possui cerca de dois séculos de existência, porém, continua reverberando no coração daqueles que o leem ou o ouvem até hoje, pela profundidade de suas palavras, e pela vida de seu compositor. John Newton nasceu em 1725, em Londres, e antes de ser cristão, vivia uma vida devassa e blasfema, sendo popularmente conhecido dessa maneira. A sua história é muito conhecida pela transformação que Deus operara nele: de um traficante de escravos blasfemo a um pregador piedoso, e ainda mais tarde, um abolicionista. Porém, além de mercador de escravos, Newton também foi um escravo, e passou por um processo precário, com um senhor bastante rude e cruel, durante quinze meses na África. Ao relatar sobre este período, ele usa estas palavras: “Eu me tornei, de fato, embora não nominalmente, um cativo e um escravo, fiquei deprimido até o mais baixo grau da miséria humana.”¹ Sobre isso, John MacArthur afirma:

“O testemunho singular de Newton lhe deu um senso de apreço pela misericórdia resgatadora de Deus em sua vida. Suas experiências passadas o ajudaram a entender o que, de fato, significava ser um escravo do pecado – ser oprimido sem misericórdia e explorado por um mestre perverso [...] Ele retratava a si mesmo, em sua condição de perdido, como o ‘escravo voluntário de todo mal’ e como ‘um escravo cego de satanás’, o qual, se Cristo não houvesse resgatado, ‘ainda estaria cativo’.”¹

Portanto, Newton pôde apreciar a graça divina de uma forma mais fulgurante por causa de suas experiências, e pôde escrever de uma maneira mais profunda sobre o que significa ser um escravo do pecado.

É isso o que éramos à parte da graça de Deus: escravos do pecado e cativos de nossos próprios desejos, deste mundo, e de Satanás! O apóstolo Paulo escrevendo aos efésios disse:

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nas vossas transgressões e pecados, nos quais andastes no passado, no caminho deste mundo, segundo o príncipe do poderio do ar, do espírito que agora age nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também andávamos, seguindo os desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da mente; e éramos por natureza filhos da ira, assim como os demais”. (Ef 2:1-3)

Estávamos mortos, destituídos de vida espiritual, e andávamos segundo o caminho dos nossos próprios desejos carnais, cumprindo a vontade do príncipe deste mundo, sendo naturalmente, filhos da ira de Deus. À vista Dele não havia nenhum justo, pois todos se desviaram dos Seus caminhos.

“Não há justo, nem um sequer. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se desviaram.” (Rm 3:10-12)

Somente nos apartamos do maior bem que um dia já recebemos: Deus. Esse é o caminho pelo qual andávamos todas, queridas irmãs, longe Dele, e distantes da Sua perfeita vontade. A necessidade da justificação surge a partir da funesta insuficiência do homem em relação ao Senhor.

A Justificação é um termo forense, e alude que Deus optou por nos declarar justos à Sua vista, porque Alguém (Jesus) decidiu pagar a nossa pena. Jesus Cristo se ofereceu diante de Seu Pai como o nosso substituto, preferindo carregar a nossa culpa a fim de podermos ser perdoados por Deus, e aceitos por Ele. Em nós não havia nenhum mérito ou condição de compensação pelo nossa maldade, porém, Deus tratou o seu filho como culpado, para que fôssemos tratados como justos. Ele nos recebe como filhos amados, não pelas nossas obras, não por nossa dignidade, mas pelas obras e pela dignidade de outrem: Jesus Cristo. A Sua justiça nos é imputada, sendo creditada em nossa conta, e assim as suas obras repousam sobre nós, e ao nos contemplar, Deus vê o seu Filho. Portanto, o Senhor nos declara justos, somente em Cristo Jesus. Como bem disse Paul Washer²:

Só podes ser abençoado em alguma coisa, porque ele morreu amaldiçoado em tudo.”

E dessa forma, podemos concluir com Paulo:

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” (Rm 8:33-34)

Se o próprio Senhor nos declara justos perante o seu trono, quem poderá nos trazer acusação? Ninguém mais poderá nos condenar, pois Alguém morreu e ressuscitou em prol de nossas almas, e intercede em nosso favor!

A graça de Deus é maravilhosa porque nunca fizemos nada para merecê-la, mas pelo contrário, somente nos afastamos de qualquer dignidade dela. Através de Jesus Cristo recebemos a bênção da Justificação, de forma que tudo o que conhecemos é graça. Como diz um trecho de uma das versões da tradução da letra “All havei s Christ”, de Sovereign Grace:

“Você olhou para o meu estado lastimável
E me levou a cruz
E eu descobri o amor de Deus revelado
Você sofreu em meu lugar
Você suportou a ira reservada para mim
Agora tudo que eu conheço é graça.”

O correto entendimento da graça de Deus deve nos levar ao lugar da adoração, nos esvaindo de todo orgulho humano e tributando toda a glória a Ele. Se não fosse o Seu amor, e se não fosse a Sua graça, estaríamos perdidas em nós mesmos. Mas, glórias a Deus por Jesus Cristo, e a Ele, somente a Ele todo o mérito da Justificação.


Thayse Fernandes
__________________________
¹ MACARTHUR, John. Escravo: A verdade escondida sobre nossa identidade em Cristo. São José dos Campos: Fiel, 2012.
² Pregação: Jesus Cristo Justo e Justificador. 

9 de outubro de 2017

Série: A gloriosa doutrina da justificação – O que é?

08:40

No poema “Paraíso Perdido”, de John Milton (1608-1674), no canto III, o poeta monta uma cena na eternidade, em que Deus, assentado em Seu trono, vê Satanás voando em direção a Terra para tentar o homem. Inicia-se então um diálogo entre o Pai e o Filho, e, Deus Pai, sabendo da Queda que se sucederia, demonstra Seu propósito de graça, momento em que Deus Filho se oferece, espontaneamente, como Redentor do homem:

2 de outubro de 2017

O retrato da igreja

08:43

O retrato da igreja em nossos dias é desalentador e melancólico, isto por causa de uma famigerada dicotomia: os que estudam a hermenêutica da Bíblia versus os que não estudam, mas se acham “ungidos” para impetrar determinadas “profetadas”. Para os que se dedicam apenas aos estudos da hermenêutica bíblica sem o uso da piedade, acabam se esquecendo de praticar a misericórdia e o amor de Deus para o próximo e possibilitando assim, uma vida omissa e permissiva de uma “teologia” antropocêntrica e falsa moralista. E para aqueles que sem nenhuma base de interpretação bíblica surgem impetrando “profetadas” e mais “profetadas” com o subterfúgio de que é “ungido de Deus” e assim deve ser ouvido e respeitado na comunidade que se encontra, resulta numa verdadeira catástrofe, pois faz o uso de um versículo fora de seu contexto prejudicando toda uma sistemática bíblica. Portanto, o reflexo da igreja que é doutrinada por uma “teologia” antropocêntrica, sem o uso da piedade, misericórdia e amor de Deus resulta numa “teologia” efêmera e de moral fajuta.

25 de setembro de 2017

Como posso ser feliz?

08:29

Todos nós estamos engajados em uma busca contínua por felicidade. Há dentro de nós um vazio, ao qual tentamos preencher de várias formas. Dinheiro, status, relacionamentos e prazeres são algumas das coisas que aspiramos, mas, no clímax de toda a nossa aspiração está a felicidade, porque não desejamos as coisas meramente pelo o que elas são, mas pelo o que podemos nos tornar ou sentir por meio delas. Ninguém há que, em sua perfeita razão, tenha em seus planos não ser feliz ou não realizado enquanto indivíduo, e assim, a nossa vida se torna uma vida de perseguição rumo à felicidade.

18 de setembro de 2017

A impureza dói

21:04

Todos nós, cristãos, passamos por situações que comprometem de alguma forma a nossa pureza, as quais precisamos resistir fortemente a fim de agradarmos a Deus. Nos encontramos diariamente em um campo de batalha, contra um sistema que é hostil aos princípios divinos, e contra as forças espirituais do mal; porém, a maior guerra que enfrentamos todos os dias se encontra travada em nosso interior, onde os olhos humanos não veem, mas que faz parte de uma realidade que é real, constante e inevitável. Esta guerra é contra todos os nossos pensamentos e desejos impuros que desonram ao nosso Deus, contra tudo o que é oriundo de nossa natureza humana caída, que conduz nossos passos a caminhos que estão em desconformidade com o que o Senhor é com o que deseja para as nossas vidas, como filhas amadas redimidas para a glória do Seu louvor.

11 de setembro de 2017

Quando o conflito é a paixão

09:33